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INSTITUTA CALVINO TOMO I/CAP IV

Foto do escritor: 1ipdacidadenova5
1ipdacidadenova5
26 de mar. de 2020
2 min de leitura

Atualizado: 27 de mar. de 2020


SUPERSTIÇÃO -


Mas, assim como a experiência atesta em todos ser a semente da religião divinamente implantada, assim também dificilmente se encontra um em cem que faça medrar o que lhe foi gerado no coração, porém nenhum em quem chegue à maturação, muito menos que fruto apareça a seu tempo [Sl 1.3]. De fato, seja que uns em suas próprias superstições se perdem, seja que outros, de propósito firmado, de Deus impiamente se alienam, afinal todos se degeneram de seu verdadeiro conhecimento. E assim resulta que no mundo não subsiste nenhuma piedade genuína. Entretanto, ao afirmarmos que alguns que foram traduzidos à superstição pelo erro resvalam, não quero com isso dizer que sua ingênua insipiência os isente de culpa, porquanto a cegueira em que laboram está quase sempre emaranhada não só de arrogante vaidade, mas ainda de insolente contumácia. Nisso se percebe vaidade, e certamente aliada ao orgulho, a saber, que, buscando a Deus, os desventurados seres humanos não sobem além de si mesmos, como seria necessário, antes o medem em conformidade com o padrão de sua obtusidade carnal, e negligenciando a sólida investigação, movidos de curiosidade, andam em volta de vãs especulações.

Por isso não o apreendem como ele se apresenta; ao contrário, o imaginam justamente como em sua temeridade o forjaram. Escancarada esta voragem, para qualquer lado que movam o pé, à ruína fatalmente haverão sempre de precipitar-se. Ora, tudo quanto intentam em seguida para o culto ou serviço de Deus, nenhum peso podem atribuir-lhe, porquanto não estão adorando a ele mesmo, mas, antes, em vez dele, adoram a fantasia e sonho de seu

coração. Paulo frisa esta depravação eloqüentemente, ao dizer que se fizeram fúteis, quando aspiravam ser sábios [Rm 1.22]. Já antes dissera [Rm 1.21] que se fizeram fúteis em suas cogitações; mas, para que ninguém os eximisse de culpa, acrescenta que vieram, com justiça, a ser cegos, porquanto, não contentes com a sobriedade, ao contrario, arrogando-se mais do que é próprio, fazem com que por si mesmos lhes

sobrevenham trevas; ainda mais: em sua vã e ruinosa petulância, se tornaram estultos. Donde se segue que a estultícia não lhes é justificável, cuja causa não é simplesmente vã curiosidade, mas o desejo de saber mais do que convém, aliado à falsa

presunção.



 
 
 

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